Crise e Recuperação dos Mercados

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Crise e Recuperação dos Mercados

O mercado acionário norte-americano, que vinha se mantendo em um patamar aproximadamente constante de 3.300 pontos em 2020, sofreu uma brusca queda a partir de 25 de fevereiro por causa da epidemia do Corona vírus, tendo acumulado uma perda de 29% em 19 pregões até 20 de março. Os únicos períodos na história dos últimos 50 anos em que se observaram quedas dessa magnitude em um número tão pequeno de pregões foram a Black Monday de outubro de 1987 e a crise das Sub-Primes em setembro de 2008.

Variações bruscas no desempenho dos mercados tomam um grande tempo para serem recuperadas, como demonstramos no estudo abaixo.

A Black Monday

Em 1987 o desempenho do mercado acionário norte americano, medido pela média trimestral do S&P 500, vinha crescendo continuamente, tendo atingido uma média de 319 pontos no 3º trimestre de 1987.

No dia 19 de outubro daquele ano, o mercado sofreu uma brusca queda de 20% em um só dia, a maior já observada na história. Entre as causas dessa queda estavam o uso de trading softwares e a falta de liquidez, os quais alimentaram um ciclo vicioso de declínio naquele dia, com as ações continuando em baixa, mesmo com os volumes ficando mais baixos. Desde então foram implantados os circuit breakers para impedir a repetição da Black Monday.

A média do S&P 500 no 4º trimestre de 1987 foi de 256 pontos, 20% abaixo do trimestre anterior. O índice demorou 6 trimestres para voltar ao mesmo nível de antes da Black Monday, tendo atingido 314 pontos no 2º trimestre de 1989.

A Crise do 11 deSetembro

O início da década de 2000 foi um período de crises na economia dos EUA.

O mercado medido pelo S&P 500, operou nos 4 trimestres do ano 2000 com uma média de 1.427 pontos. O desempenho médio trimestral do índice, que já havia sido negativo em 7,4% no 4º trimestre de 2000, teve quedas nos dois primeiros trimestres de 2001 de, respectivamente 6,8% e 3,1%. O S&P 500 fechou o dia 10 de setembro de 2011, véspera dos ataques que culminaram com a destruição do World Trade Center em Nova York, em 1.093 pontos, uma queda acumulada de 24% em relação ao 3º trimestre de 2000.

O 3º e 4º trimestres 2001 tiveram quedas de 6,5% e 3,3% respectivamente, com uma leve recuperação no 1º trimestre de 2002. Os próximos 4 trimestres foram de quedas sucessivas, com o 1º trimestre de 2003 registrando uma média de 853 pontos. Em 9 de outubro de 2002 o S&P 500 chegou ao seu valor mínimo durante essa crise, de 777 pontos, menor nível desde 1997.

Após uma queda de 42% por 10 trimestres sucessivos (com exceção do 1º trimestre de 2002), foram necessários outros 16 trimestres para que o S&P 500 voltasse aos patamares do ano 2000. No 1º trimestre de 2007 o S&P 500 atingiu 1.424 pontos e manteve a média de 1.477 pontos naquele ano.

A Crise das Sub-Primes

A data inicial da chamada crise das Sub-Primes foi 15 de setembro de 2008, quando houve o colapso do banco americano Lehman Brothers.

Nos quatro trimestres anteriores, o S&P 500 vinha operando com uma média de 1.427 pontos. No período de três trimestres iniciado no 3º trimestre de 2008, o índice teve uma queda acumulada de 41%, fechando o 1º trimestre de 2009 com uma média de 808 pontos. No dia 09 de março de 2009, o índice atingiu 677 pontos, menor valor desde setembro de 1996, valor esse mais baixo que o menor valor da crise do 11 de Setembro.

Após essa queda, foram necessários 15 trimestres até que, no 4º trimestre de 2012, o índice voltasse ao patamar de antes da crise.

Conclusão

Não se pode prever ainda se os mercados atingiram o “fundo do poço” ou se ainda vamos observar quedas adicionais.

O que a história mostra, contudo, é que a recuperação de crises dessa magnitude é longa.

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